Em meio a guerra no Oriente Médio, EUA colocam Melania Trump para presidir reunião do Conselho de Segurança da ONU
Melania Trump preside reunião na ONU sobre crianças em áreas de conflito A primeira-dama dos EUA, Melania Trump, presidiu uma reunião do Conselho de Seguran...
Melania Trump preside reunião na ONU sobre crianças em áreas de conflito A primeira-dama dos EUA, Melania Trump, presidiu uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a pedido de Washington, nesta segunda-feira (2), enquanto EUA e Israel empreendem uma guerra contra o Irã no Oriente Médio. Na sede da ONU em Nova York, Melania falou sobre crianças e educação em áreas de conflito. Foi a primeira vez que a esposa de um líder mundial em exercício presidiu uma reunião do Conselho de Segurança, órgão da ONU composto por 15 membros e responsável pela manutenção da paz e segurança internacionais. O plano de colocar Melania no comando da sessão foi anunciado na semana passada, antes do início dos ataques dos EUA e de Israel. Primeira-dama dos EUA, Melania Trump, preside reunião do Conselho de Segurança da ONU Jeenah Moon/Reuters A reunião ocorre após os EUA assumirem a presidência rotativa mensal do Conselho e é visto por analistas como mais um sinal de como Trump personalizou a política externa americana, envolvendo amigos e familiares em questões importantes. O gabinete de Melania Trump afirmou que seu objetivo era enfatizar a educação como forma de promover a tolerância e a paz mundial na reunião, intitulada "Crianças, Tecnologia e Educação em Conflito". Em uma declaração ao Conselho, ela disse: "Os EUA estão ao lado de todas as crianças do mundo. Espero que em breve a paz seja de vocês." Ataque a escola O Irã culpou Israel e os EUA por um ataque a uma escola primária feminina na cidade de Minab, no sul do país, no sábado, que, segundo o enviado iraniano à ONU, Amir Saeid Iravani, matou 165 meninas. A Reuters não conseguiu confirmar as informações de forma independente. Irravani afirmou ser "profundamente vergonhoso e hipócrita" que os EUA convoquem uma reunião sobre a proteção de crianças em conflitos armados "enquanto, ao mesmo tempo, lançam ataques com mísseis contra cidades iranianas, bombardeiam escolas e matam crianças". No sábado, o UNICEF, agência da ONU para a infância, divulgou um comunicado mencionando as notícias iranianas e afirmando que a escalada militar no Oriente Médio "marca um momento perigoso para milhões de crianças na região", ecoando o apelo do secretário-geral da ONU, António Guterres, por uma cessação imediata das hostilidades. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a repórteres na segunda-feira que "os Estados Unidos não atacariam uma escola deliberadamente". O embaixador de Israel na ONU disse ter visto diferentes relatos, incluindo a alegação de que a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã teria atacado a escola, mas que Israel lamenta a perda de vidas de qualquer civil. Sem mencionar especificamente as alegações iranianas, o embaixador da China na ONU, Fu Cong, afirmou na reunião do Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira que os ataques a escolas são uma das graves violações contra crianças identificadas pelas Nações Unidas e que a comunidade internacional deve responder a tais incidentes com investigações rigorosas e esforços de responsabilização. Crítico da ONU O presidente Trump tem sido um crítico ferrenho das Nações Unidas desde seu primeiro mandato na Casa Branca, afirmando que o organismo mundial de 193 membros é ineficaz e precisa de reformas. Os Estados Unidos devem bilhões de dólares em suas contribuições para o orçamento da ONU, e esse valor aumentou substancialmente sob o governo Trump. O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, afirmou na semana passada que o plano de Melania Trump de presidir a reunião demonstrava "a importância que os Estados Unidos atribuem ao Conselho de Segurança e ao tema em questão", referindo-se à agenda do encontro. O presidente Trump adotou um tom mais conciliatório em relação à ONU no mês passado, durante a primeira reunião de seu Conselho de Paz, uma iniciativa que, segundo ele, visa resolver conflitos globais, mas que preocupa muitos líderes mundiais, pois acredita-se que tenha sido concebida para substituir as Nações Unidas. A primeira-dama manteve-se afastada dos holofotes durante grande parte dos mandatos de Trump, mas já se mostrou defensora de causas infantis, inclusive ao escrever uma carta ao presidente russo Vladimir Putin em 2025, solicitando o retorno de crianças ucranianas levadas para a Rússia durante a guerra.