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Negócio do AC aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate artesanal: 'Criar conexões'

Negócio do AC aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate Transformar um ingrediente tradicional do Acre em um produto capaz de chegar ...

Negócio do AC aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate artesanal: 'Criar conexões'
Negócio do AC aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate artesanal: 'Criar conexões' (Foto: Reprodução)

Negócio do AC aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate Transformar um ingrediente tradicional do Acre em um produto capaz de chegar a diferentes mercados é a proposta de um empreendimento acreano que desenvolveu um chocolate artesanal com farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul, do interior do estado. A iniciativa une gastronomia, identidade regional e inovação e se conecta à proposta do Inova Amazônia Summit, realizado entre os dias 17 e 19 de setembro, em Rio Branco, para discutir negócios baseados na biodiversidade e no potencial econômico da Amazônia. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp A farinha de Cruzeiro do Sul, que possui Indicação Geográfica (IG) desde 2017, foi escolhida para ser um dos elementos centrais da primeira barra de marca própria da empresa. O ingrediente é incorporado ao chocolate para garantir crocância e, ao mesmo tempo, levar para o produto uma referência direta à cultura acreana. Ao g1, a sócia-proprietária da Além do Cacau, Halianne Peres, disse que a escolha do ingrediente une gastronomia, identidade regional e inovação e transformou uma matéria-prima tradicional em parte de um produto com circulação nacional e internacional. "Nós queríamos traduzir os sabores do Acre através do chocolate e era necessário selecionar um ingrediente para isso. Nós escolhemos a farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul, que tem essa identidade geográfica e, para além disso, é um ingrediente que representa a nossa cultura. Nós quisemos aproveitar, unir essa parte da nossa cultura com uma inovação para o chocolate", explicou. LEIA MAIS: Acre vira vitrine para transformar biodiversidade amazônica em negócios: 'Mudança de cultura' Inova Amazônia Summit reúne inovação, bioeconomia e negócios em Rio Branco; VEJA detalhes Chocolates são feitos com 40% e 56% de cacau, acima do mínimo que é preciso para ser considerado chocolate Renato Menezes/g1 A escolha também interfere diretamente na experiência de quem prova o produto. Segundo Halianne, a farinha não é utilizada para alterar a estrutura da massa, mas para criar uma textura diferente. 🍫 A barra, batizada de 'O Acre Existe', tornou-se o carro-chefe da marca. A produção é feita por um parceiro da empresa, que recebe a farinha enviada para manter a receita e a produção exclusivas do negócio acreano. "Ela é uma farinha bem crocante. Quem não conhece, quando come o chocolate, pensa que é um amendoim ou uma castanha. [...] Ela traz a crocância", contou. A estratégia é transformar a identidade regional em parte do próprio produto. O nome da barra brinca com uma pergunta que, segundo Halianne, ainda aparece quando ela apresenta o Acre fora do estado. "Quando as pessoas perguntam: 'o Acre existe?' quando a gente está viajando, eu falo: 'existe e você pode provar através do chocolate'", reforçou. Halianne Peres é socia-proprietaria do negócio 'Além do Cacau', que usa farinha de Cruzeiro do Sul na confecção de chocolates artesanais do Acre Renato Menezes/g1 Negócio que vai além do chocolate A barra com farinha é apenas um dos produtos dentro da estratégia da Além do Cacau. A empresa funciona como uma curadoria de chocolates artesanais brasileiros e reúne cerca de 50 sabores, além de café cultivado no Acre, nibs de cacau, pastas e um chá com sabor e aroma de chocolate. A loja física foi inaugurada em dezembro de 2021, mas a atuação da empresa não ficou restrita ao espaço. A marca participa de feiras e eventos no Acre e em outros estados e mantém vendas para diferentes regiões do Brasil e também para o exterior. A trajetória começou a partir de uma mudança profissional de Halianne, que é administradora e passou quase duas décadas no setor financeiro. A relação com o empreendedorismo, porém, começou ainda na infância, acompanhando a mãe, com quem hoje divide a sociedade na empresa. Empresa também trabalha com outros produtos e expõe no Inova Amazônia Summit, em Rio Branco Renato Menezes/g1 A transição para o setor de chocolates veio acompanhada da intenção de criar um negócio que tivesse, além do retorno financeiro, uma relação com pequenos produtores, sustentabilidade e valorização cultural. A empresária também buscou trabalhar com chocolates com uma composição mais simples, sem aromatizantes e gordura hidrogenada, em uma proposta diferente da adotada pela indústria convencional. "Nunca foi sobre vender chocolate, não foi só sobre vender produto. É sobre trazer e criar conexões, respeitando as nossas culturas, valores e a sustentabilidade", afirmou. Produtos da 'Além do Cacau' foram expostos no Inova Amazônia Summit, em Rio Branco Renato Menezes/g1 Ingrediente que representa a região É justamente a transformação de matérias-primas e conhecimentos amazônicos em produtos com maior valor agregado que aproxima a história da Além do Cacau da proposta do Inova Amazônia Summit. Para o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a realização do encontro no Acre é uma oportunidade de apresentar produtos e negócios amazônicos a compradores e investidores do Brasil e de outros países. “O Acre foi selecionado pelo destaque no programa Inova Amazonia, realmente demonstrando seu potencial da diversidade biológica que nós temos aqui, e isso foi o grande diferencial para o evento ser sediado aqui este ano. O melhor ainda é que estamos fazendo um evento internacional, então este ano realmente vai demonstrar a grandeza que é esse evento”, frisou Rosa Nakamura, gestora de Inovação do Sebrae no Acre. Inova Amazônia Summit reúne bioeconomia e negócios no Acre Renato Menezes/g1 Nesta edição, 90 pequenos negócios ligados à bioeconomia dos nove estados da Amazônia Legal participam do Summit. O evento também tem 20 representantes de Indicações Geográficas (IGs), além de rodadas de negócios nacionais e internacionais e rodadas de investimentos para startups e outros negócios inovadores. Do Acre, são 30 startups, segundo o Sebrae, além de representantes de duas Indicações Geográficas: o açaí de Feijó e a farinha de Cruzeiro do Sul, justamente o ingrediente usado pela Além do Cacau na barra que se tornou o principal produto da marca. “Tudo é possível se transformar. Através da inovação, eles conseguem transformar aquele simples produto em um produto inovador para que possa, acelerado, se expandir até entrar no mercado, até internacional”, falou. Inova Amazônia Summit, em Rio Branco, no Acre, traz vários empreendimentos Walace Gomes/g1 Da farinha ao mercado internacional A história da Além do Cacau mostra, na prática, esse processo. Um ingrediente tradicional, associado à alimentação e à cultura de uma região específica do Acre, passou a fazer parte de um produto que é apresentado em feiras, eventos e mercados fora do estado. A empresa também já participou de iniciativas apoiadas pelo Sebrae, incluindo uma loja colaborativa durante a COP30 e a ExpoAlimentaria, feira internacional realizada na América Latina. Durante a COP30, segundo Halianne, os produtos enviados para a loja colaborativa foram vendidos integralmente. A participação em eventos também se tornou uma estratégia para ampliar o alcance da marca e criar contato direto com consumidores. Além do Cacau também trabalha com chá de cacau Renato Menezes/g1 "A gente está sempre em eventos externos, fora da loja, para justamente criar essas conexões. Quando a pessoa já vem aberta para conhecer novos negócios, novos empreendimentos, a gente consegue fazer essas conexões", explicou. A proposta, no fim, é fazer com que a origem do produto seja parte de seu valor, e não apenas uma informação na embalagem. No caso da barra 'O Acre Existe', a farinha de Cruzeiro do Sul não aparece somente como ingrediente: ela é a conexão entre o chocolate, o território e a identidade que a empresa pretende levar para outros mercados. "Tem quatro anos seguidos que a gente participa da Expoacre, então muita gente chega na loja através desses eventos externos, das feiras do Sebrae, outras feiras que a gente participa também. Aonde nos chamam, nós vamos e temos esse corpo a corpo com cliente, e aí a gente chega onde os nossos braços não estão conseguindo alcançar mais", frisou. Além do Cacau trabalha com identidade amazônica e expõe produtos no Inova Amazônia Summit, em Rio Branco Renato Menezes/g1 VÍDEOS: g1