Prefeito de Taipé é recebido com indignação em evento Pride após batida policial em bar gay
Vista de prédios comerciais e residenciais de Taipei, em Taiwan, no dia 12 de maio de 2026 Ann Wang/Reuters O prefeito de Taipé, Chiang Wan-an, que disputa um...
Vista de prédios comerciais e residenciais de Taipei, em Taiwan, no dia 12 de maio de 2026 Ann Wang/Reuters O prefeito de Taipé, Chiang Wan-an, que disputa uma acirrada corrida pela reeleição, foi recebido com indignação neste sábado (31) ao aparecer brevemente na lotada parada anual do Orgulho de Taiwan, após uma operação policial em um bar gay da cidade no início deste mês. A operação policial causou grande comoção em Taiwan, que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2019, algo inédito na Ásia, e se orgulha de sua reputação como bastião dos direitos LGBTQ+ em uma região onde esses direitos são frequentemente reprimidos. Mais de 170 mil pessoas participaram da parada deste sábado, que é o maior evento do tipo da Ásia Oriental. Chiang, do partido de oposição Kuomintang e que já havia manifestado seu apoio à comunidade LGBTQ+, chegou no final da parada e permaneceu no local por apenas cerca de 15 minutos. Ele foi recebido com gritos de “não façam batidas em bares gays” e aplausos estrondosos de apoio a seu principal adversário, Puma Shen, do Partido Democrático Progressista (DPP). “Já disse isso antes: peço desculpas pelo impacto causado às pessoas afetadas”, disse Chiang a jornalistas. “Portanto, sobre esse assunto, conduziremos uma investigação rigorosa e aplicaremos medidas disciplinares imediatas.” Alan Chang, de 30 anos, disse que era “ridículo e inacreditável” que tal operação pudesse ter ocorrido. “Este é um país e uma cidade que valorizam a igualdade de gênero”, acrescentou. Shen, que segundo algumas pesquisas de opinião está à frente de Chiang, apareceu em outra parte do comício, onde foi calorosamente recebido pela multidão. A vice-presidente Hsiao Bi-khim liderou a delegação do DPP no Pride, enquanto o presidente Lai Ching-te escreveu em sua página do Facebook que ninguém deveria sentir medo por causa de quem é. “Esse respeito também deve se refletir em todo exercício da autoridade pública”, acrescentou Lai. Os organizadores do Pride revisaram o tema deste ano após a operação policial. A operação policial “despertou novamente o trauma histórico das comunidades de diversidade sexual e de gênero, há muito submetidas à opressão pelas autoridades estatais”, afirmaram em um comunicado nesta semana. A polícia de Taipé fez uma batida no bar Commander D, no principal bairro gay da cidade, Ximen, neste mês, e levou 51 pessoas para interrogatório, além de prender o proprietário. Algumas ficaram detidas por mais de seis horas depois que a polícia as acusou de violar uma lei que proíbe “expor de forma imprudente o próprio corpo nu ou assumir uma postura lasciva em local público”.